Coração palpitante, mãos suadas, pernas bambas, era isso que eu sentia descrição de coisas de filme, de novela, pra uma coisinha chamada amor. Mas, seria mesmo amor? Pelo menos eu achava que sim.
Fui me sentindo apegada, com o coração cheio outra vez. Mas o que aconteceu? Até ontem ele era apenas um amigo. Já não sabia mais o que sentia, não sabia se era amizade, amor, afeto. Só sabia que existia e a cada dia que passava tomava conta de mim. Todos percebiam, eu já não sabia como agir, resolvi me declarar, e entregar o resto nas mãos do destino (se é que existe mesmo esse tal destino). Embora soubesse que talvez não fosse dar em nada, corri o risco. Preferi assim, e consequentemente quebrar minha cara com esse sentimento sem definição.
Me doei, deixei o meu orgulho de lado e me magoei, achava que só existia ele, que seria o único que me faria feliz, mas, talvez estivesse errada. Joguei fora o meu orgulho, e não ganhei sequer compaixão. Tudo bem. Ele não é obrigado a gostar de mim, o problema é que ele provocava. E isso me irritava, afinal, ele sabia dos meus sentimentos.
Acabei me afastando, achei que fosse a solução, mas, quando eu me via distante, ele sempre dava um jeito de me trazer pra perto. Abri minha mente, reorganizei os pensamentos. Fui deixando de ficar triste por causa dele, pra ficar triste por ele, por estar sem mim. Afinal, não fui eu quem sai perdendo nessa historia. Agora pode me procurar, pode correr atrás, ficar na tua eu não quero mais. Avisa pra esse tal amor que me pegue, me surpreenda, em algum lugar por ai, desprevenida, que venha pronto, e acompanhado com uma dose de sentimentos verdadeiros, sem gelo. Enquanto eu me divirto com novas aventuras, novas descobertas, novas sensações. Avisa pra ele que eu superei, e que agora vou cuidar de mim, e do que me movimenta.
Até a jóia mais preciosa e completamente rígida, pode ser lapidada. Quem dirá esse coração difícil de ser penetrado. Não menos valioso que um diamante, e também, não menos rígido.
Um escudo de ironia, frieza, orgulho e malicia a cobria. Não que fosse uma pessoa má, anti-social, ou como todos falam antes de conhecer “chata”. Ela apenas ainda não havia encontrado uma pessoa que a fizesse se sentir, vulnerável, segura, dependente. Alguem que tirasse seu sono, que a fizesse querer dormir até mais tarde, não por preguiça, mas sim por querer tê-lo em seus sonhos. Nenhum garoto conseguia arrancar um “eu te amo” seu (chamo isso de se valorizar e valorizar os sentimentos). Não é que ela não gostasse desse tal amor, mas pra ser bem sincera, nunca lhe foi conveniente, até, bom... Até ele aparecer em sua vida.
Era estranha a forma que ele conseguia deixá-la. De inicio, ela acreditava que fosse apenas uma atração, aliás, por mais que ela nunca tivesse se apaixonado por alguém antes, algumas pessoas já haviam sim chamado sua atenção, mas sempre o exterior (um corpo bonito, um rostinho lindo, aqueles olhos...Ah, aqueles olhos...), nunca o interior, aquilo que embora desvalorizado por alguns, é o que realmente importa, até porque um rosto perfeito não é eterno. Ela achava isso até ele começar a tirar seu sono, invadir sua vida e seus pensamentos, mais que isso, começou a fazê-la mudar sem ambos perceberem. Seu jeito fria agora mudara, (ao menos com ele) e ela já não conseguia evitar.
Seu orgulho foi se despedindo aos poucos até que esse amor, que até então estava oculto, foi se demonstrando aos poucos. Ela não entendia direito o que estava acontecendo consigo mesma, já não conseguia esconder, é, ela devia mesmo estar começando a sentir o que nunca havia sentido antes, o amor. A única coisa que sabia era que aquilo lhe fazia bem, um bem enorme, pra ser sincera.
Se deixou envolver por aquele sentimento que a fazia bem, que a fazia feliz, que a fazia mudar. Ele conseguia deixá-la boba com pequenas palavras, a fazia se sentir segura e ao mesmo tempo vulnerável. Ela já não tinha mais duvidas do que estava sentindo, agora tinha certeza que o amor existia, que não era apenas coisa de filme, de novela. Embora tivesse demorado pra chegar, ele chegou em sua vida, e a única coisa que ela queria era que fosse verdadeiro, durasse e fosse deles, o amor deles.
Era uma noite fria, uma “maldita” noite fria, que a fazia pensar em um turbilhão de coisas e mais do que isso, a deixava nostálgica.
No fundo, no fundo, só ela sabia a falta que ele estava fazendo. Cada abraço, cada beijo, cada lembrança, agora voltava a sua mente como uma pancada na cabeça (E como isso dói). Cada minuto que passava, parecia horas. “Que idiota” ela resmungava ao mesmo tempo que sorria feito boba, lembrando de algumas conversas bobas jogadas fora. “O que ele fez comigo?” ela insistia em se perguntar inconformada, pelo fato dele ter conseguido deixá-la desse jeito, sem conseguir dormir direito, com o coração apertado de tanta saudade que ele estava fazendo ela sentir. Sua vontade era de encontrá-lo em qualquer lugar que seja e lhe dizer: “Volta meu amor, volta pra minha vida, vem sem olhar pra trás. Apenas volta, diz que vai me aquecer nas noites frias, que seremos um só, sem essa maldita distância”. Sua presença realmente a fazia falta. Ela já nem sabia mais o que fazer com aquela dor, que apertava mais que tudo, que maltratava tanto seu coração. Derrepente, ela se pegou chorando feito uma criança que teve seu doce preferido tomado por alguém. Ela já havia sido derrotada pela saudade e por aquele amor. “Não me importo mais em chorar, ninguém está me vendo mesmo”. Sorriu fraco com aquele pensamento repentino, ainda com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ela sabia que aquela história não iria acabar ali, não daquela forma, não distante. Já era quase impossível de perceber lágrimas escorrendo pelo seu rosto, e a noite fria, a “maldita” noite fria, assim denominada por ela, acabara de terminar ali, o desejo de dormir e querer vê-lo em seus sonhos era maior do que a saudade que insistia em lhe perturbar.
O que a distância não faz? Horas viram uma eternidade, momentos viram saudade. E como dói essa saudade! E aquela noite fria e dolorosa que havia lhe feito chorar naquela noite, foi a ultima noite que a distância e seus pensamentos lhe fizeram de refém, refém da saudade, refém do amor. Hoje a distancia virou apenas uma palavra, que ela evita pronunciar, porque ela não os atrapalham mais.
Sorrisos bobos, orgulho ferido, borboletas no estômago, noites mal dormidas, pensamento em uma só pessoa antes de dormir. Mas o que é isso? Amor? Ela realmente não acreditava, derrepente o seu mundo caiu.
Logo ela que não deixava se apaixonar por ninguém. Que nunca conseguiu se imaginar fazendo papel de mocinha em filmes, novelas. Que nunca esperou por um príncipe encantado bater em sua porta. Que sempre viveu tudo intensamente, ia para baladas para curtir e não pra conhecer o “amor da sua vida”. que odiava melações de casais apaixonados e filmes de romance.ela que no lugar de ir ao cinema preferia badalações noturnas. Ela que sempre foi desapegada em relaçaõ a amores, derrepente se viu perdida nesse mundo totalmente novo.
Ela agora prefere ir ao cinema no lugar de ir para baladas, anda suspirando por ai e na maioria das vezes é pega imóvel pensando em milhares de coisas, milhares de situações. Ela agora passou a gostar de filmes românticos e acha “fofo” o casal apaixonado do filme “Dear John”. Seus amigos não a reconhecem mais, e pra falar a verdade, ninguém mais a reconhece. Ela passara a ser meiga, compreensiva, calma e um tanto mais sentimental do que antes. Ela é a prova de que esse sentimento temido por muitas e até por ela, pode mudar as pessoas.
Seu orgulho, por onde anda? Ás vezes ela se sente como se estivesse bêbada, sabendo que aquilo pode ser incerto, mas ela não consegue deixar isso pra lá. Para ela agora as coisas são mais compreensíveis. Seu orgulho foi ferido, mas de inicio, para ela é uma ferida “boa”. Derrepente o corpo dela estremeceu e a fala? Já foram embora quando ele chegou sua sanidade já se foi há muito tempo. Sim, ela perdeu totalmente a noção do perigo. “Mas pra quem sempre gostou do perigo, um a mais talvez não fosse fazer tanta diferença” pensava ela.
Quando viu que já estava completamente envolvida nesse novo sentimento, resolveu se “jogar” e “pagar pra ver” no que isso iria dar. Mas com os pés no chão, caso essa loucura não desse certo e chegasse a maltratar o seu lindo coraçãozinho. Se não der certo? Bom, se não desse certo ela sabia onde encontrar seus amigos que provavelmente estariam em uma balada, ou em qualquer outro lugar onde tivesse vodka e gelo, não pra chorar e se lamentar, e sim pra retomar sua rotina e trazendo experiências dessa relação. Ela simplesmente irá voltar a viver com mais amor... O amor próprio. Mas enquanto der certo, sem dores, sem lágrimas, só amor... Apenas amor, ela será feliz.
Um dos maiores erros das garotas é achar que a vida é como um conto de fadas. Onde vai aparecer sua “fada madrinha” no momento que ela mais precisa, para consertar sua vida. Ou achar seu “príncipe encantado” andando sem rumo em cima do seu belo cavalo branco, e que esse príncipe vai acordá-la com o beijo do “verdadeiro amor”. Mas esses e outros sonhos fictícios não passam disso ... De sonhos! A realidade é bem diferente, e vai muito mais além de contos perfeitos que fazem tais imaginar sua vida baseada na ficção.
Garota, para de querer que os outros sejam perfeitos se nem você mesma é. Do que adianta cobrar dos outros o que você não tem? O "príncipe encantado" não vai chegar e bater na sua porta enquanto você fica sentada esperando o tempo passar. Nada vai vir até você de graça. Não acredite na frase “quem espera sempre alcança” (Se você não se mexer ninguém vai fazer nada por você, essa é a verdade). Daí você acredita e fica nessa enquanto o tempo passa, e quando você vai parar pra pensar sobre o que fez da vida, qual a resposta? Nada, isso mesmo ... nada! É o mesmo que esperar muito dos outros, só te traz decepção, nos contos tudo tem uma continuidade, tudo por mais triste que seja é perfeito e sempre tem um final feliz.
Não cobre tanto das pessoas, não busque a perfeição nelas, afinal elas são seres humanos, imperfeitas, falhas ... Não deixa que uma falha cometida por outra pessoa acabe com tudo o que construíram juntos, o que viveram. Lembra que “príncipes” não caem do céu, enquanto vocês ficam sonhando com eles. E contos de fadas não existem!